sábado, abril 07, 2012

SENSIBILIDADE E CORAGEM (Ao amigo Régis Lima, funcionário do Jornal Correio, que morreu esta semana aos 39 de idade).

Em meio ao turbilhão do cotidiano, muitas vezes negligenciamos ou deixamos de nos preocupar o suficiente com os amigos sobre os quais deveriamos lançar um olhar diferenciado, não por considerá-los melhores que as outras pessoas que conhecemos, mas justo pelo fato de chamá-los de amigos.

Amizade não é feita de bate-papo, afinidade, tapinha nas costas, favores ou elogios, embora a gentileza deva ser uma constante na condução das nossas relações. Amizade requer duas coisas difíceis: sensibilidade e coragem.

Sensibilidade para enxergar o raio de sol que o sorriso do seu amigo irradia ou a tempestade que ele tenta esconder, em alguns casos, as duas coisas. A coragem é necessária para que possamos valorizar e retribuir todos os dias ao sorriso de alegria que nosso amigo nos dá e também para despertá-lo do sorriso triste, antes que ele sucumba às intempéries.

Se não formos movidos pela sensibilidade e a coragem, estaremos construindo relações “liquidas”, causando impressões superficiais nas pessoas e consequentemente, sendo vazios.

O pior é que só percebemos isto, quando já é tarde, quando ele foi tragado pela tempestade. Só quando não há mais o que fazer, compreendemos que o sorriso do nosso amigo possuia vários significados, e o quão fomos insensiveis à tristeza e a alegria de um sorriso que agora nos deixa saudosos.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Falta de amor

Da mesma forma que a falta de compromisso com o voto é perniciosa para o exercício da cidadania e a democracia plena, é a falta de amor. Isso mesmo, a falta de amor ao próximo alimenta uma relação permeada por falta de respeito e rancor, também na política.

De um lado, um eleitor revoltado, cansado de ouvir promessas não cumpridas, amaldiçoa genericamente os políticos. Do outro, políticos oportunistas, ignoram seus eleitores, deixando de trabalhar pelo coletivo, em prol exclusivamente dos interesses pessoais.

Se ao invés de achincalhar e odiar os políticos, os eleitores passassem a acompanhar seus mandatos, colaborando com dicas, solicitações e cobranças de forma construtiva, estariam contribuindo para o amadurecimento da democracia de forma efetiva.

Curiosamente desenvolvem uma relação doentia com os candidatos e representantes, falando mal, dizendo que não estão nem ai, que todos calçam 40, e deixando de exercer o poder do discernimento e da escolha consciente. Alguns eleitores, voltam até a votar nas figuras que criticam, alegando terem poucas opções.

Na raiz de todo esse comportamento do eleitor “analfabeto político” está o do cidadão irresponsável, do ser humano incapacitado para o amor, para pensar coletivamente, para agir, se doar e exigir amor. Na falta de amor do eleitor com a política, está a causa da existência do mau político, do corrupto e do parasita, e não a conseqüência, como muitas vezes podemos pensar.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Falta de compromisso

Em 2012, ano de eleições municipais, devemos mais do que nunca refletir sobre o poema “Analfabeto Político” de Berthold Brecht. Bastante conhecido e citado, principalmente por eleitores e políticos de ideologia socialista, o poema do dramaturgo alemão trata-se de uma constatação óbvia, mas muitas vezes deixada de lado por apatia ou em prol de interesses pessoais.

Apesar de todo mundo saber que as decisões políticas interferem diretamente no cotidiano, o eleitor prefere deixar-se seduzir por discursos demagógicos, promessas de empregos ou simplesmente lavar as mãos, optando por votar nulo.

Num dos trechos, Berthold diz que o analfabeto político se orgulha em dizer que odeia a política. Não vê que com isso, sentencia sua ignorância e falta de compromisso diante de si e dos outros. Deplorável é depois das eleições, saber que ele irá reclamar dos eleitos, jactando-se de não ter votado neles e de não confiar nos políticos.

Para esse analfabeto político e para os que vendem o voto, independente da religião ou classe social, o recado é simples: para mudar a realidade social é preciso participar ativa e atentamente de todas as etapas do processo democrático, e não desistir nunca de tentar alterar o meio, começando por si mesmo. Política é coisa séria!
Falta de compromisso

sexta-feira, outubro 14, 2011

A tradução da modernidade

Campina Grande não está entre as poucas cidades que exibem a exuberância do litoral paraibano, um dos mais bonitos do Brasil, também não possui diferenças naturais significativas, as belezas que encantam turistas no Brejo, Sertão e Cariri. Situada no Agreste, Campina Grande se destaca e seduz seus filhos e visitantes por algo que está além do visível - pelo seu poder de transformação. É na Rainha da Borborema, onde “as coisas acontecem”, onde grande parte dos fatos sócio-politicos são definidos, onde a economia se expande e o futuro se antecipa. Daí o sentimento de grandeza do campinense.

Foi em Campina Grande que figuras como Elba Ramalho e Jackson do Pandeiro se projetaram para o sucesso e onde várias famílias do Sertão fincaram raízes, contribuindo para o desenvolvimento econômico da cidade. É o lugar onde brejeiros, caririzeiros e paraibanos de todo o Estado, estudam, tratam de sua saúde, trabalham e se divertem.

Os estabelecimentos de saúde e educação são os mais requisitados. Dentre as universidades, a UFCG alcançou a 38ª colocação no ranking Top Universities entre as melhores universidades da América Latina em termos de produção científica.
Na árvore genealógica política do Estado, Campina Grande tem vários sobrenomes de destaque, tanto de famílias tradicionais, como novas forças políticas.

A cidade tem os dois dos maiores clubes de futebol do Estado, além de atletas de fama nacional, como Marcelinho Paraiba e Hulk, recentemente escalado para a Seleção Brasileira. Apesar da tradição futebolística, Campina é pioneira na prática do downhill no Nordeste.

Na Serra da Borborema, a diversidade fica nítida também na religião. Na cidade é realizado um encontro ecumênico, sui generis no Brasil – o Encontro para Nova Consciência – e um dos maiores eventos evangélicos do país – O Encontro da Consciência Cristã. Há igrejas, sinagogas, centros espíritas, famosos terreiros de candomblé, templos de meditação budista, e solitários remanescentes adeptos das Borboletas Azuis que até bem pouco tempo, ainda transitavam pelas ruas da cidade.

Em Campina Grande, a feira central repleta de objetos, modos e símbolos incomuns aos dias atuais é o charmoso contraponto aos projetos e pesquisas desenvolvidos nas universidades da cidade higt tech. E no Parque do Povo, feirantes e estudiosos comemoram uma das maiores festas populares do Brasil, transmitida este ano, ao vivo, para vários países através da Record News.

Aos 147 anos, a cidade é conhecida em todo país, principalmente pela sua festa junina – o Maior São João do Mundo e pelo recente avanço tecnológico. Justamente nestas duas referências está o paradoxo e a chave para explicar o poder de atração da cidade: tradição e modernidade traduzidas em desenvolvimento.

domingo, julho 31, 2011

Por que que as mulheres traem?

Eu poderia começar este post escrevendo porque algumas mulheres não traem, mas vou pelo caminho mais fácil, afinal a maioria trai sim e como muito, mas muito mais habilidade que os homens. Mas vamos ao desafio lançado pelo blogueiro Ronaldo Magella no Twitter.

As revistas femininas e experts de plantão dizem que as mulheres traem por vingança. Para dar o troco no namorado galinha, no marido infiel. Em alguns casos, isso infelizmente é verdade.

Mas existem as mulheres que traem pelo que justificam como “necessidade” para fugir do feijão com arroz de casa. Daquele cardápio meia boca que alguns maridos impõem à esposa enquanto regala as “amigas” nas puladas de cerca.

Sem atenção, cansadas de cobranças e até agredidas física e verbalmente – depois de terem sucumbido ao estilo de vida do marido e se dedicado com paciência – buscam na infidelidade, o lado A de uma relação: “beijinhos e carinhos sem ter fim”. O amante é bonito, rico, carinhoso, cheio de tesão, não reclama e não faz cobranças.

Claro que há as que estão cheias de mimos, carinhos, atenção, amor e presentes do marido, mas preferem o ricardão da rua ao lado. Talvez sejam em menor número. Traem só para variar, porque precisam de um otário para bancá-las e um gigolô para ficar com o troco.

De modo geral, para responder a pergunta do blogueiro, sinceramente, não sei. Não tenho opinião formada porque não sou sexista. Suponho que como ele considera em relação aos homens, a traição feminina seja motivada pela mesma coisa: autoafirmação. E acrescentaria imaturidade, insatisfação diante de si, do outro e do mundo, vaidade, carência e impulsividade sexual mesmo.

Homens, mulheres, somos todos iguais no pior e no melhor...nas histórias de amor e desamor, geralmente não há mocinhos e nem bandidos.

terça-feira, junho 21, 2011

O “magiar” da Rainha

Há personalidades ou homens comuns que pelos seus feitos ou carisma, são como ruas, praças, parques e símbolos de uma cidade. São patrimônios imateriais que nos dão um sentimento de pertencimento maior que qualquer livro de história. Neste perfil, se enquadra perfeitamente o húngaro Janos Wathy Tatrai, ex-técnico do Treze e do Campinense e de vários times brasileiros e do exterior.

Com 89 anos, o húngaro natural de Vszprèm possui uma história de vida repleta de lances inusitados, desafios e conquistas. Depois de ter sobrevivido a 2ª Guerra Mundial, chegou ao Brasil em 1953, onde trabalhou como cozinheiro, corretor de imóveis, vendedor de bijuterias e no setor de turismo, caindo de pára-quedas no futebol.

Convidado casualmente para comandar um time de futebol, descobriu sua paixão pelo esporte, tanto que mesmo depois de se aposentar dos gramados, o húngaro passou a agenciar jogadores. Como empresário, destacava-se por sua conduta ética e prestigio junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e aos grandes times.

De luto, o futebol reverencia o velho gringo, cidadão honorário de Campina Grande, cuja figura elegante e sorriso largo, impresso em tempo integral em sua face, ficará na memória dos amigos ou dos campinenses que simplesmente se deparavam com ele passeando pelas ruas de Campina, cidade pela qual fazia questão de declarar seu amor.

Em entrevista há cerca de cinco anos a um site de esportes, o magiar Tatray disse que nasceu duas vezes. "Nasci em Vszprèm... Nasci de novo no Brasil... essa Campina Grande é minha Vszprèm".

domingo, junho 19, 2011

Forró de plástico, pé-de-serra, sertanejos e baianos

Em entrevista por telefone, na última sexta-feira, dia 17, ao Jornal Correio, o mestre Dominguinhos, desmistificou a história de que os festejos juninos de Caruaru são mais autênticos que os de Campina Grande. Ele que é uma das maiores atrações do Maior São João do Mundo, comentou que está ressentido com a organização do São João de Caruaru por priorizar bandas do chamado “forró de plástico”, em detrimento dos artistas conhecidos como os representantes da cultura regional tradicional.

De acordo com Dominguinhos, o cachê oferecido a ele e aos artistas locais em terras pernambucanas é infinitamente inferior ao das bandas que estão na mídia e dos sertanejos.

O comentário de um dos mais importantes artistas brasileiros vivo e em atividade, só confirmou o que há alguns anos vem acontecendo com a maioria das festas juninas do Nordeste: da espetacularização da festa. A única diferença é que em Caruaru, este processo vinha ocorrendo sob o manto de um marketing voltado para a preservação tradição regional.

Antes que alguém atribua a insatisfação do sanfoneiro a questões políticas pelo fato de Dominguinhos ter cantado na campanha do tucano José Serra, o ano passado, vale uma checadinha na programação de Caruaru deste ano. Na ponta do lápis, o número de bandas de plástico supera o das demais atrações, dentre as quais ainda estão incluídas a baiana Chiclete com Banana e Amigos Sertanejos.

Assim como nas outras cidades, a organização veio cedendo há alguns anos ao apelo do mercado fonográfico, irremediavelmente atrelado ao do público. Já Campina Grande, que já chegou a ser alvo de críticas por algumas opções musicais durante o Maior São João do Mundo, o evento sempre privilegiou a diversidade, mantendo um raro equilíbrio entre atrações do forró “pé de serra”.

quinta-feira, março 17, 2011

Diplomacia não faz mal

O prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego e o ex-governador Cássio Cunha Lima, se encontraram ontem pela manhã no Palácio do Bispo. Na pauta: a implantação de uma unidade da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) na Rainha da Borborema. Enquanto para alguns, o encontro repercutiu como o aceno de uma aproximação política, para outros tantos, a reação foi de surpresa. Correligionários de um candidato e do outro, demonstraram indignação ao ver os adversários juntos.

No recorte da fala de algumas destas pessoas, fica claro que a leitura é de traição. Para eles, Veneziano e Cássio lado a lado, significa uma espécie de infidelidade dos dois diante dos seus eleitores.

Ao testemunhar as declarações de alguns destes correligionários, verificamos como a política vem sendo personalista e é alimentada por picuinhas. Se a civilização se caracteriza pela existência de diálogo, diplomacia, respeito e amizade, apenas por estas razões, o encontro entre Cássio e Veneziano já teria sido perfeitamente normal. Mais ainda, tendo como alvo a luta para a implantação de uma sede da AACD em Campina. Caso a cidade seja escolhida, será denominada Associação de Reabilitação da Criança Deficiente (ARCD).

Estranhamente, correligionários miúdos, acostumados à política do curral, vociferam, desconhecem a diferença entre as palavras: batalha e luta e entre adversários e inimigos. Na reunião de ontem e em qualquer encontro entre adversários políticos, sempre haverá momentos de trégua, onde os valores que transcendem as cores, as bandeiras e os humores de cada um, prevalecerão em nome do interesse comum. Que a violência, a maledicência e a ignorância, causem indignação; a diplomacia, não!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Sem graça

Há cerca de 15 anos assisti a um show de Shaolin pela primeira vez. Depois disso passei a acompanhar seu trabalho pela TV local e em rede nacional, revendo-o pessoalmente apenas para uma entrevista que realizei para o Jornal Correio, em 2002. Voltando ao show de 1996 numa calourada da Faculdade de Comunicação Social (UEPB), é preciso destacar que apesar do pequeno número de pessoas, Jozenilton Veloso já dava demonstrações do talento de um artista nato.

Como eu fazia parte do Centro Acadêmico que estava organizando o evento, fiquei na frente do palco e quando Shaolin começou suas imitações e a contar piadas, quase racho o bico de rir. Ri tanto que o artista aproveitou a "deixa" para dizer que me contrataria para ir ao próximo show dele no teatro Municipal: "- Rapaz, vou contratar essa galeguinha pra ela ficar rindo na primeira fila do meu show no Teatro!" A gargalhada foi geral e não será preciso dizer que corei e ri ainda mais.

Depois, o rapaz foi se torando mais conhecido do público campinense através de um programa exibido durante a semana na TV Borborema com produção jornalista, radialista e professor do curso de Comunicação, Altamir Guimarães, o mestre Mica, em que Shaolin fazia paródias e imitava personalidades conhecidas de Campina Grande, notadamente políticos. Neste período, algumas pessoas imitadas chegaram a chiar, embora anos mais tarde, depois que Shaolin fez sucesso no eixo Rio-São Paulo, passaram a elogiá-lo e até torcer para serem alvos de suas imitações. Infelizmente, o público sempre precisa da chancela do Sudeste para que reconhecer devidamente seus conterrâneos.

Ontem pela manhã, ao saber do acidente que deixou o humorista em estado grave, a lembrança daquele show da calourada de Comunicação foi inevitável: de um paraibano que se destacou pelo talento e pelo esforço, de um artista que orgulha a cidade e o Estado, semeando riso e bom humor a todo o país. Shaolin tem o dom de fazer rir sem muito esforço, sem demandar grandes produções. Ao deparar-se com o caminhão que entrava na contramão da BR-230, não houve tempo de imitar um super-herói, mas entregue aos cuidados dos médicos e a misericórdia de Deus, poderá se recuperar e voltar dos comerciais com uma piada que fará seus fãs sorrirem aliviados.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Repetição e banalização

Em um dia qualquer da década de 1980, as autoridades policiais e a imprensa, deu-se conta – não necessariamente ao mesmo tempo – de que o número de assaltos, arrombamentos e furtos, havia aumentado e tornado-se corriqueiro em Campina Grande.

Para isso, justificativas não faltaram, algumas bastante preconceituosas. Êxodo rural, inflação, consumo de drogas, falta de investimento na segurança pública e até o crescimento da cidade, sempre estiveram na ponta da língua dos analistas de plantão para tentar explicar o aumento da criminalidade.

Dez anos depois, foi a vez dos homicídios passarem a ser a pautar com assustadora freqüência os noticiários. Novamente, foram apontadas as possíveis causas para o crescimento do crime, por sinal, as mesmas elencadas para explicar os assaltos. Com a entrada do novo milênio, os assassinatos tornaram-se tão comuns que nem todos foram pautados na imprensa local.

Em 2010, Campina Grande registrou quase 200 assassinatos com aumento de 30% em relação ao ano anterior. Apesar da gravidade, as notícias sobre homicídios deixaram de sensibilizar os leitores sob o ponto de vista moral e social, atraindo-o apenas pelo conteúdo espetaculoso em que eles estiverem envolvidos.

Um ano depois, assistimos o aumento da explosão de caixas eletrônicos, principalmente nas cidades do interior, que já contabiliza uma média de 2,5 por dia nos primeiros 18 dias de 2011. Se a estatística se mantiver neste mesmo nível, em pouco tempo, a modalidade criminosa deixará de causar indignação, repetindo o que ocorreu com os demais crimes. Qual será o dia em que autoridades, imprensa e sociedade passarão a refletir e tomar medidas de enfrentamento à violência sem repetir os erros do passado, de maneira profunda e pragmática? (Fernanda Souza)

segunda-feira, julho 26, 2010

Retomando o assunto

Retomando o assunto

Depois que conheci o Twitter, seduzida pela interatividade e objetividade da nova rede social, confesso ter negligenciado meu blog, um projeto que sempre procurei manter ativo.

Reeditado no site Manchete da Hora me senti na obrigação moral de reativá-lo e nisto me adveio uma grande satisfação. Cheia de opiniões sobre vários assuntos que ultimamente têm me inquietado, decidi começar de onde parei – na temática do momento: política.

No último comentário publicado neste espaço, discorri sobre a negativa de alguns políticos de falar sobre eleições deste ano. Na ocasião utilizei o exemplo do prefeito Veneziano Vital do Rego, pelo fato de ser campinense estar a par de todas as declarações dele a este respeito. Contudo, também me referia, nas entrelinhas, ao então prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, que sempre repelia especulações sobre sua provável candidatura ao governo do Estado.

Precocemente, a mídia paraibana se arvorava em cima destas duas figuras, potenciais candidatos ao governo do Estado, com o objetivo de obter deles, declarações sobre suas futuras candidaturas. Nos dois casos, os gestores tentavam mudar o “rumo da prosa” e focar na execução das ações administrativas em médio prazo.

Com o tempo – mínimo, por sinal, as intenções foram declaradas e as negativas deixadas de lado. Uma candidatura se consolidou e á medida que isto foi acontecendo de forma transparente, a gestão pública ganhou contornos diversos do primeiro mandato. Nesta perspectiva, convido os leitores deste blog a ampliar o olhar para uma análise comparativa das duas posturas e do cenário atual.

Veremos nitidamente, a diferença entre a administração do prefeito que decidiu ficar à frente do executivo municipal e daquela em que o gestor, se afastou para pleitear novo cargo executivo, postergando a execução de várias ações prometidas para o mandato de quatro anos para o qual foi eleito.

quarta-feira, abril 08, 2009

Hora de trabalhar

Quando o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego (PMDB) e outros poucos gestores dizem que não gostariam de falar amiúde nas eleições de 2010, mandam o seguinte recado: Estamos ocupados com a cidade e seus moradores, com a administração pública que se desenrola no presente.

O que os interlocutores não entendem com a recusa é que a estimulação precoce da campanha compromete a gestão, desvia o foco do governante. Neste momento, quando o maior desafio para os prefeitos paraibanos é o de lidar com as diferentes agendas das políticas públicas, tratar de sucessões e pretensões eleitorais significa ignorar as obrigações cotidianas.

Os prefeitos cônscios dos seus deveres estão ocupados em construir arranjos de governança para garantir uma desfragmentação ordenada das ações. Nestes novos formatos de gestão sintonizados com as necessidades do povo.

Através da inclusão de protagonistas de várias instituições e grupos para pensar, discutir e desenvolver ações em torno das principais questões e problemáticas, os gestores têm diagnósticos e perspectivas de soluções muito mais realistas e eficientes. Conseguem desatar nós e satisfazer os munícipes, se credenciando naturalmente para vôos mais altos, cimentados em concretudes e não em especulações fora de hora.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O FIC fica

O novo subsecretário estadual de Cultura, o artista plástico Flávio Tavares garantiu a permanência do FIC Augusto dos Anjos. Não se poderia esperar outra atitude de um artista comprometido com a cultura e com a sua história. Acima de questões político-partidárias, Flávio sabe que estão as demandas dos artistas paraibanos, homens e mulheres que inscrevem a história cultural da Paraíba.

Ao manter um projeto criado pela primeira subsecretária de Cultura do governo Cássio Cunha Lima, a cantora Cida Lobo, Flávio Tavares demonstra sua disponibilidade para dialogar com todas as vertentes políticas e culturais. Aliás, o fato de ser um artista que transita com desenvoltura em todos os locais, foi decisivo para ser convidado pelo governador José Maranhão para assumir o cargo.

Aproveitando o embalo do que terá continuidade e do que não será aproveitado da antiga gestão na área de cultura, o subsecretário não terá muito trabalho em diagnosticar que um dos principais males dos projetos neste setor, está no amadorismo de alguns coordenadores.

Um dos projetos, que assim como o FIC também deveria ser mantida, trata-se da Lei Canhoto da Paraíba, conhecida como Mestre das Artes. Criada há quatro anos em homenagem a Canhoto da Paraíba, a lei contemplou vários artistas paraibanos, mas nos últimos anos tornou-se bastante hermético para os artistas que tentavam obter o benefício sem a chancela de uma entidade ou um padrinho bem articulado. Em todo caso, tem conserto.

Outras expressões artísticas também se ressentem de apoio, principalmente os artistas plásticos, que ora se vêem representados no subsecretário Flávio Tavares, e precisariam no mínimo, de uma reestruturação dos museus paraibanos, alguns em péssimo estado de conservação e até desativados nos últimos anos.

Pela experiência que tem e depois do levantamento que está fazendo na área de cultura, o novo subsecretário verá que acerta em cheio em manter o FIC e que poderá fazer o mesmo como Mestre das Artes; que na Paraíba há projetos, artistas e talentos em abundância, e que muitas vezes a mudanças positivas dependem apenas de duas coisas: vontade e compromisso.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Falta de entendimento

O que muitos estudantes e pais que recebem benefícios sociais do governo federal não conseguem entender, é que a freqüência vai além da garantia de qualquer “bolsa-família”. De acordo com dados do Ministério Público, o índice de evasão escolar em Campina Grande, ainda gira em torno dos 18% nas escolas da rede pública, percentual que só preocupa os pais quando vislumbram a possibilidade de perder o benefício social.

Nenhuma das desculpas usadas por gestores, estudantes e seus responsáveis para se livrar da culpa que direta ou indiretamente eles têm sobre o problema, será suficiente para justificar um futuro de brasieiros iletrados, sem capacitação para entrar no mercado de trabalho e pior, desconhecedores de noções básicas de cidadania; consequentemente destinado à exclusão.

A conscientização das famílias e dos jovens precisa ser uma preocupação constante de escolas, educadores e principalmente, do poder público. O monitoramento e o trabalho insistente de esclarecimento junto aos estudantes e às famílias precisa ser feito porque principalmente porque para eles, a falta de recursos fala muito mais alto do que qualquer projeção de futuro.

Se para eles, é difícil entender o alcance de uma boa assiduidade escolar; para quem está de fora a compreensão também é limitada. Gestores e educadores, na maioria das vezes, não entendem a urgência que domina o pensamento de famílias desempregadas que precisam se virar para garantir o sustento dos filhos, de famílias para as quais conceitos como planejamento familiar e capacitação profissional são completamente incompreensíveis.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Sem defesa

O vice-presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco, o advogado Manoel Bezerra de Mattos Neto, 44 anos, foi assassinado na praia dos Mariscos no município de Pitimbú (PB) sábado à noite por dois homens armados com pistola e espingarda. Há quase 15 anos, Mattos denunciava a atuação de grupos de extermínio nos estados de Pernambuco e Paraíba.

Por causa das denúncias, tornou-se um “cabra marcado para morrer” como se diz na Paraíba, principalmente após ter sido testemunha decisiva na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), sobre grupos de extermínio, instalada no Congresso Nacional.

Em um dos dossiês preparados pelo advogado foram relacionados mais de 100 homicídios. O conteúdo do documento serviu para desarticular vários grupos, desencadeando a prisão de várias pessoas em Pernambuco.

De acordo com informações da família, o advogado havia passado dois anos sob escolta de agentes da Polícia Federal, mas a proteção foi retirada depois que os policiais avaliaram a falta de necessidade. Como ele, outras testemunhas que denunciaram os mesmos grupos criminosos foram mortos, um deles um agricultor assassinado no meio da rua no município de Pedras de Fogo (PB).

Defensor de uma causa sem defensores, desde 1996 que Manoel Mattos sofria ameaças de morte, a mais recente foi feita o mês passado. Mesmo assim não se escondia atrás de uma mesa, não fez Direito unicamente para prestar concursos e tentar ser um mero cidadão com “estabilidade”.

Sem a devida proteção resguardada às testemunhas – e garantia constitucional – foi morto pela incompetência de uma sociedade hipócrita e covarde, leniente com a impunidade, para a qual denunciar injustiças é crime, a mesma que brevemente lhe outorgará homenagens dando seu nome a alguma instituição ou rua.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Turismo reprovado

A Paraíba não está preparada adequadamente para receber turistas. Em algumas praias de cidades vizinhas João Pessoa, falta até água para quem optar pela locação de uma casa durante a temporada de verão. Na maioria dos hotéis e pousadas do litoral ao agreste, falta o primordial: informação. Não há um perfeito entrosamento no tripé – hospedagem, alimentação e transporte – que garante o sucesso turístico de um local e garantem o conforto esperado pelo turista.

Para quem prima por excelência no atendimento, a nota é baixa, principalmente em Campina Grande, onde não só turistas como consumidores sentem na pele, a antipatia e falta de traquejo dos proprietários e funcionários de lojas e restaurantes.

Quando há um pouco de boa-vontade nas pessoas, peca-se por falta de capacitação, o que deveria ser promovido não só pelo trade turístico, ou gestores públicos, mas principalmente por representantes de entidades comerciais.

Em algumas lojas dos shoppings salvam-se aqueles vendedores que têm a gentileza como qualidade nata e no comércio popular, pessoas que apesar da dureza cotidiana, estão cientes que seu ganha pão, depende também do sorriso no rosto. São exceções.

Infelizmente, independente da suntuosidade do estabelecimento ou da precariedade da loja, sobra apatia, indiferença e falta de habilidade para o atendimento. Não há mapas turísticos suficientes e nem desculpas pelo que está em falta (e falta muita coisa), inclusive conhecimento sobre as potencialidades do Estado.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Mudança bem-vinda!

O adiamento da Micarande 2009 que só deverá ser realizada no segundo semestre deste ano é uma das decisões mais acertadas dos últimos anos e uma forma de sobrevida para um evento que já está com a fórmula gasta. Neste primeiro semestre, a cidade já possui uma boa cota de eventos turísticos. No segundo semestre, não.

Como uma espécie de prévia do verão, o carnaval fora de época de Campina Grande virá justamente preencher esta lacuna, sendo realizada entre outubro e novembro, segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

O motivo dado para a mudança de data pela secretaria foi a reforma do Parque do Povo que começa este mês. Este ano, a Micarande completa 19 anos no mês de abril e ainda de destaca como um dos principais eventos do calendário festivo da cidade. Apesar do porte do evento, o seu formato poderá ser repensando (e esta reflexão precisa ser levada a sério). Na maioria das cidades brasileiras, estes carnavais fora de época ou foram extintos, ou privatizados.

Antes que vozes politiqueiras se levantem, é importante se registrar que a Micarande precisa de oxigênio e que a mudança pode ser a única forma de garantir sua sobrevivência. Que a mudança seja substancial e indiferente às críticas mesquinhas que porventura surjam!

quarta-feira, novembro 26, 2008

Reprodução de artigo do Procurador do Trabalho e Professor Universitário - Eduardo Varandas Araruna

Cássio, Maranhão e a Igreja


'Vejo uma séria violação do princípio de separação entre Estado e Igreja'
(Christopher Reeve)

Em outro texto de minha lavra, cheguei a criticar a postura de religiosos que se infiltravam na política. Penso que chegou a hora de repaginar as minhas idéias devido aos últimos fatos do cenário local.

A verdade é que a postura do arcebispo da Paraíba, nos acontecimentos que decorreram do guilhotinado de Cássio Cunha Lima, deixou-me atônito, seja como cristão-católico, seja como cidadão paraibano.

Na última manifestação do governador, lá estava o arcebispo, confundindo-se com mais um integrante da equipe de governo e a balbuciar questionamentos meta-jurídicos, sofismáticos, sobre o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral.

Já não via com bons olhos as aparições de Sua Eminência, junto com o Pastor Estevam Fernandes, nos programas políticos do governador-candidato, durante o último pleito eleitoral. Isto porque, sem querer turbar a liberdade de expressão política dos religiosos, penso que o sacerdócio cristão e a postura partidária não se devem amalgamar, num mesmo instante em uma só carne.

Antes que me venham citar trechos bíblicos, para fins de contra-argumento, repiso que a minha opinião não decorre de regras da lei mosaica, mas de um primado de bom senso e ética puramente humanos.

Diga-se, de passagem, que a História depõe radicalmente contra a união de instituições religiosas e o poder. Veja-se, por exemplo, o ébano período da idade média, quando a ingerência dos religiosos se apunha acima de qualquer forma de governo ou norma, resultando em manipulação de diversas ordens, arbitrariedades e o mais grave desvio de conduta que se tem notícia em toda a existência da cristandade.

Com isso, não quero dizer que sou contra a candidatura ou a intromissão política, direta ou indireta, de pastores ou padres. Não! Contudo, quando optarem por essa via, devem eticamente afastar-se dos seus misteres religiosos mais proeminentes para não usarem a fé alheia como maneira oblíqua para conquistarem escanchas políticas ou vantagens de outras ordens (esclareço que neste ponto, não me refiro a alguém de forma específica).

Aliás, salvo engano, é a própria igreja católica que tem algumas diretrizes contra-indicando posições políticas excessivas de seu clero.

É claro que tal aspecto em nada abala a fé do povo católico tão pouco implicará em deserção de parte do rebanho para outras organizações cristãs. A igreja, como o corpo de Cristo, não se resume a este ou àquele líder, mas todo o povo que comparece aos templos com sede de Deus.

Os atos isolados dos líderes religiosos, quando deslocados do ministério que abraçaram, jamais vincularão a igreja, dada à sua universalidade, aliás o termo 'catolicismo' vem daí. Assim, ela estará sempre com portas abertas para ricos e pobres, 'maranhistas' ou 'cassistas' e a toda a gente que crer que Deus paira acima das vicissitudes humanas, inclusive as político-partidárias.

Quanto à arquidiocese, ‘non possumus’...

sexta-feira, novembro 21, 2008

O ataque não é a melhor defesa!

Diante da absoluta falta de argumentos, o jurista Eduardo Ferrão, um dos advogados de defesa do (ex) governador Cássio Cunha Lima (PSDB) apelou para o ridículo ontem durante julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da distribuição de cheques com fins eleitoreiros no ‘Caso FAC'. Acusou o Sistema Correio de Comunicação de ‘coronelismo' pelo simples fato do jornal ter publicado uma charge na qual o ministro Eros Grau, relator do processo de cassação de Cássio, "dá uma martelada na cabeça do governador paraibano".

Ué?! Qual o problema Ferrão? Aliás, o que uma coisa tem a ver com a outra? Embora as duas primeiras letras destas palavras sejam iguais, o significado de cheque e charge são bastante diferentes. Por mais que o cartunista do Correio, o talentoso Cristovam Tadeu seja um excelente artista do humor gráfico ninguém deu a mínima para a charge.

Em sua fala, Eduardo Ferrão ressaltou, ainda, que o programa do governo do estado tem amparo legal e foi gerido por um conselho gestor, tendo em sua formação o arcebispo da Paraíba, D. Aldo Pagotto. Outro lapso de Ferrão que tem residência pessoal e profissional em Brasília foi citar o arcebispo paraibano. Novamente, o relator e os ministros ficaram sem entender bulhufas. Como assim Ferrão? E daí que o clérigo seja membro do tal conselho gestor? O que isso prova?

Depois de tantos tropeços na tentativa de defesa do indefensável, Ferrão saiu do plenário com o receio de ser alvo do nanquim de Cristovam Tadeu numa charge no melhor estilo “after day” e com a certeza de que a decisão não deixou espaço para ele reclamar com o bispo e muito menos com o arcebispo.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Caça às bruxas!



O arcebispo da Paraíba é no mínimo uma figura polêmica! O mais recente alvo de Dom Aldo Pagotto Di Cillo Pagotto foi o queridinho dos católicos, o padre mineiro Fábio de Melo, sucessor do Padre Marcelo no mundo pop. O religioso tem um programa na emissora de televisão Canção Nova onde orienta o público com conselhos baseados na Bíblia Sagrada.

O motivo do queixume de Pagotto está no fato da Arquidiocese da Paraíba não ter sido comunicada sobre a apresentação de padre Fábio no dia 28 deste mês em João Pessoa e ainda incluir em seu material de divulgação, apoio da Comunidade Filhos da Misericórdia que não teria autorizado o seu uso e nem o logotipo.

Deixando qualquer análise sobre o fenômeno padre Fábio de Melo, uma coisa chama a atenção: o posicionamento do arcebispo da Paraíba em relação à diversidade, à reação ao que considera mundano, falso, pecaminoso e às ovelhas desgarradas.

Em outubro deste ano, o religioso despertou a ira do Movimento do Espírito Lilás (MEL), quando segundo a entidade, ele invadiu as instalações de uma sauna destinada ao público gay que ainda seria inaugurada no Centro de João Pessoa. Na Marcha da Maconha, Dom Aldo também não deixou por menos e realizou uma verdadeira cruzada contra a realização do evento. O arcebispo escandalizou-se com a possibilidade de realização da marcha e procurou a Promotoria da Infância e Juventude e outras autoridades para barrar o evento, temendo que ele se tornasse uma apologia ao uso da droga.

No mesmo mês, o arcebispo gravou um spot para ser veiculado em horário nobre alertando o eleitor a não votar em candidato que usa dinheiro de verbas públicas em campanhas políticas. Até ai nada de errado, caso o único candidato à reeleição no segundo turno das eleições paraibanas não tivesse uma denúncia formulada pelos adversários, “de uso do dinheiro de verba pública em campanha”.

Também não haveria problema nenhum se o clérigo também tivesse chamado a atenção para a compra de votos, prática bastante difundida nestas eleições e que ele simplesmente ignorou em sua fala ou se ele não fosse testemunha de defesa no processo que cassou o governador Cássio Cunha Lima no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), acusado de usar milhares de cheques em período eleitoral. Dom Aldo é do conselho de notáveis que fixou critérios para distribuir cheques a micro-empreendedores.

Não haveria nada de errado, se durante seu pronunciamento na televisão, o arcebispo tivesse imprimido um tom mais educativo do que ameaçador, e por fim, caso a inserção televisiva tivesse a chancela da Arquidiocese da Paraíba, e não o patrocínio da ONG intitulada Centro de Desenvolvimento da Atividade Física, Saúde e Cidadania (Cedafisc).

A entidade é responsável pela organização da Corrida de Jegues e tem entre seus diretores Teles Albuquerque, candidato a vereador nestas eleições por um partido aliado ao candidato Rômulo Gouveia (PSDB). Outro detalhe é que apesar de se autodenominar ONG utiliza domínio “com” na Internet.

Neste como em outros episódios esporádicos, alguns que remontam ao tempo em que foi bispo de Sobral (CE), o arcebispo acabou despertando antipatia de várias raças, crenças e gêneros.

Na rede mundial de computadores, proliferam blogs e comunidades no orkut, algumas criticando a postura política, outras comentando sobre a acusação de coação de Pagotto em um processo de abuso sexual em Sobral contra o frei Luís Sebastião Thomaz.

Em um dos maiores jornais do Ceará, “O Povo”, o promotor de Justiça do município, Irapuan Dionísio da Silva Júnior declara que o religioso estava atrapalhando o trabalho do Ministério Público, colocando a população contra as meninas que acabaram assumindo a intenção de seduzir o frei, que antes havia sido acusado. Ainda em Sobral dizem que o clérigo ganhou mais notoriedade por proibir músicas de axé na rádio da sua diocese e ameaçou excomungar quem freqüentava carnaval fora de época.

Diante da participação ativa nos assuntos da Nação Tabajara e poder-se-ia dizer que o religioso é um homem de coragem, um ativo líder religioso e evangelizador. Mas o que dizer do julgamento antecipado que faz das pessoas que não se enquadram no seu perfil de santidade?

Pelo cargo que ocupa, algumas de suas declarações acabam soando inquisitórias, controvertidas e perseguidoras, destoando do amor e do perdão, princípios máximos do cristianismo.